Corpo & Saúde – Edição 54 (Fevereiro/Março)

Os exercícios físicos em prol da cura do câncer 

Desde 1995, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima e publica anualmente a incidência de câncer para o Brasil levando em conta os tipos específicos e desagregando os dados por estados e capitais. Para viabilizar estas estimativas, os dados gerados pelos Registros de Câncer de Base Populacional (RBPC) brasileiros são essenciais e os coordenadores destes registros têm colaborado muito com os profissionais do INCA ao longo destes 11 anos.  

De forma crescente, estas estimativas são amplamente divulgadas em publicação anual para gestores, serviços de saúde, universidades, centros de pesquisa, sociedades científicas e entidades não-governamentais, além de estarem disponíveis no site do INCA. Estas informações têm sido úteis no planejamento das ações para o controle do câncer e são marco referencial constante em artigos científicos, dissertações e teses relacionadas ao câncer, além de frequentemente citadas pela imprensa em geral.  

Claro que essa doença não pertence só a nós brasileiros. Na Universidade do Sul da Califórnia, nos Estados Unidos, pesquisadores recrutaram 100 voluntárias que haviam se tratado recentemente contra o câncer nos seios e colocaram metade para realizar exercícios. Depois de quatro meses, eles perceberam que a turma do agito exibiu quedas em colesterol, pressão e outros marcadores da síndrome metabólica. “Sobreviventes do tumor de mama com essa condição têm maiores índices de mortalidade. Logo, erradicá-la aumentaria a sobrevida”, diz a fisiologista Christina Dieli-Conwright, autora da investigação.  

A dificuldade é sair do sedentarismo em um momento tão complicado, até porque o câncer impõe restrições. “No nosso trabalho, um grande desafio foi a falta de confiança das mulheres em movimentar os braços”, recorda-se Christina. Ora, não raro a cirurgia contra o tumor de mama abala as estruturas dos membros superiores.  

Uma paciente chamada Roberta, que passou por quatro operações antes de ver sua doença sumir dos radares, é prova disso: “Meu alongamento foi para as cucuias. Aí eu comecei a fazer pilates e ioga, que me ajudaram a recuperar a flexibilidade”. Claro que cada caso demanda cuidados específicos, que exigem supervisão. “Mas todos, ao se exercitarem, deixam de viver só em função do tratamento”, dá o recado. Tem virtude melhor do que essa?  

Em termos práticos, “As recomendações para pacientes com câncer estão sendo revistas”, adianta o pesquisador Daniel Galvão. Hoje, as diretrizes gerais se assemelham às voltadas ao restante da população, ou seja, pedem para incluir modalidades aeróbicas, musculação e alongamentos por ao menos 150 minutos na semana, ou seja, cerca de 30 minutos se considerarmos uma rotina de segunda a sexta.  

No entanto, há particularidades de acordo com o tipo de tumor, o estágio da doença e as características da pessoa. “Durante o tratamento, devemos focar na segurança, cobrar supervisão e reforçar que não é a hora de apertar o passo”, ressalta o oncologista Antonio Carlos Buzaid, da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica.