Corpo & Saúde Edição 41 (ago/set 2017)

“Segunda-feira eu começo!”
Quem nunca ouviu essa frase, ou mesmo não a repetiu por dezena de vezes? Segunda-feira, depois do Carnaval, dia 1º de janeiro, depois da Páscoa! Atualmente, muitas pessoas têm dificuldade de iniciar a prática de atividade física ou não conseguem mantê-la em sua rotina. Essas pessoas levam então uma vida sedentária, diminuindo sua qualidade de vida e tornando-as mais propensas ao aparecimento de doenças e, por isso, esta dificuldade de se manter ativo se tornou o assunto de muitas discussões e estudos em diversas áreas, inclusive da psicologia. Em relação aos aspectos psicológicos sabemos que um baixo nível de motivação está altamente relacionado com a dificuldade de se ter uma prática regular de atividade física, ao mesmo tempo em que a motivação é um dos principais “combustíveis” das pessoas ativas, ou seja, entender esse aspecto psicológico, e como podemos manejá-lo, é muito importante se queremos mudar nossos hábitos em relação ao exercício físico.

A motivação tem uma dimensão de direcionamento do comportamento e uma dimensão “energética”, de intensidade. O nível de motivação de uma pessoa é definido por uma interação de fatores pessoais e ambientais e são esses fatores que mudam ao longo de nossas vidas se alteram tanto a direção de nossos comportamentos– nossos objetivos – quando a intensidade de nossos esforços para atingi-los. E, assim como esses fatores mudam naturalmente podemos também alterá-los de forma planejada para nos tornar motivados a agir de maneira diferente.

Um dos fatores pessoais, por exemplo, são os motivos que temos para agir; no caso da atividade física os motivos que temos para nos dedicar a essa prática. Nossos motivos podem se alterar, de forma não planejada, após exames médicos que constatem a necessidade de exercícios regulares; mas também podemos planejar essa mudança nos informando sobre os benefícios físicos e psicológicos que a atividade física atrai.

Além de alterar nossos motivos podemos também mudar nossas metas e expectativas de forma a nos motivar para começar uma atividade física. Ter metas e expectativas muito altas em relação ao nosso desempenho geralmente nos desmotiva para começar, pois muitas vezes nos parecem impossíveis de serem alcançadas. O que devemos fazer éter metas intermediárias, metas que sabemos que somos capazes de atingir em pouco tempo, o que nos dá motivação para começar e também continuar, à medida que vamos alcançando as metas menores e chegando mais perto da meta final (aquela que parecia impossível num primeiro momento). Além desses fatores pessoais temos fatores ambientais,como por exemplo, atratividade da tarefa e apoio social que podemos alterar para que nossa motivação aumente. A atratividade da tarefa é muito individual, para algumas pessoas corridas de aventura são empolgantes, para outras não; por isso devemos sempre estar atentos a quais atividades e  características das mesmas que nos atraem. O apoio social também é uma variável importante da vida esportiva e devemos buscar aumentá-lo dividindo as conquistas e dificuldades com amigos e familiares, pois permitir que outras pessoas participem indiretamente da sua prática de atividade física pode tornar essas pessoas fontes de motivação em momentos difíceis. Podemos concluir que a motivação é, como exposto, um conceito muito amplo e complexo, porém muito importante para qualquer ação, inclusive a prática de atividade física e por isso é tão estudada e discutida principalmente na psicologia do esporte. O importante é saber que podemos mudar nosso nível de motivação e usá-la para nos tornarmos, e nos mantermos, ativos!

Bons treinos!