GM criação em dois atos

Memória: esta é uma reportagem especial da edição histórica da Revista ZAP de 2014, comemorativa aos 50 anos de Paulíni; atualmente, a nomenclatura correta da então GM é Guarda Civil de Paulínia

A segurança na história de Paulínia é azul

POR GIDEL SILVA
FOTOS: ARQUIVOS ZAP ED. 24/2014

A história da Guarda Municipal de Paulínia tem início no ano de 1968, quatro anos após a emancipação da cidade (1964). Através da Lei nº 112/68, publicada em 23 de fevereiro e regulamentada nove dias depois pelo Decreto Lei 118/68, o primeiro prefeito da cidade, José Lozano de Araújo, dá inicio à saga da corporação, que se divide em dois atos.A Lei que criou a Guarda Municipal Armada previa um efetivo de 15 homens em sua formação, divididos em 1 chefe, na época, Jorge Schneider assumiu o posto e organizou toda estrutura -, que contava com um auxiliar, dois rondantes, cinco guardas de 1ª classe e seis guardas de 2ª classe, que se encarregavam do policiamento diuturnamente da cidade. A corporação era subordinada diretamente ao prefeito e tinha como diretor técnico o delegado de polícia. No ano de 1976, através da Lei nº 530, de autoria do então prefeito José Antônio Maranho, essa primeira formação foi desativada e seus agentes realocados em outros setores da administração municipal, como Bombeiros e Vigilância. Alguns anos depois, em 23 de dezembro de 1980, o prefeito em exercício, Geraldo José Ballone, recria a Guarda  municipal, através da Lei nº 714/80, que permanece até os dias de hoje. No início, o patrulhamento era feito a cavalo. Eram 13 animais em atividade. A farda era cáqui, inspirada na polícia montada do Canadá. O ar bucólico da Paulínia dos anos 80 era evidenciado pelo som dos cascos dos cavalos batendo contra o asfalto. Alguns moradores mais antigos diziam que ao ouvirem

Patrulha: os cavalos acompanhavam a primeira viatura, um Fusca
Criação: desfile de 7 de setembro na Avenida José Paulino, apresentando uma das primeiras corporações da Guarda Municipal de Paulínia, que contou com uma dedicação mais que especial de seu primeiro encarregado, Jorge Schneider: “ele montou, coordenou, sofreu noites sem dormir até que desse certo”, lembra e se orgulha a filha, Sandra Cilene Schneider
Registros: fotos cedidas pela família Schneider, na foto, seu Jorge e os GMs, Paulo Neto, Edson Honório e Julindo; ao lado, a GM atuando na inscrição de casas populares e do residencial Presidente Médici, tudo devidamente registrado

Guarda feminina

As mulheres chegaram à guarda municipal em abril de 1992. Doze mulheres no total passaram a integrar o 1º Pelotão Feminino, em um ambiente até então 100% masculino. Ex-donas de casa, escriturárias e comerciantes tinham agora a incumbência de participar da ronda diária, ronda escolar e atendimento ao comércio, quebrando um tabu, por serem as primeiras a atuarem na área policial da cidade. Atualmente, são 31 GMFs, que atuam na cidade nos serviços operacional, Apoio Tático, administração e departamento de trânsito, em igualdade com os companheiros homens. Hoje, a Guarda Municipal de Paulínia conta com um efetivo de 232 GMs e desempenha um papel fundamental na segurança da cidade. Aliada as demais forças de segurança, como Polícia Civil e Polícia Militar, a GM de Paulínia se orgulha de participar da trajetória histórica da cidade, tendo dado sua contribuição para construir uma cidade melhor e mais segura.

 De pai para filho

O Guarda Municipal Edson Honório dos Santos, ou GM Honório, está há muitos anos na corporação. Ele é do tempo da cavalaria, tendo ingressado na GM poucos anos após a sua criação. Filho de Gumercindo Honório dos Santos, o GM Honório herdou do pai a profissão. Seo Gumercindo foi integrante da Guarda Municipal Armada de Paulínia no ano de 1965. Após a extinção da GAP, Gumercindo foi transferido para o Bombeiro, que nesta época era municipal. Ao falar sobre esse tempo remoto, o GM Honório tem muitas lembranças; de como eram realizadas as rondas pela região do Jardim Calegaris, sempre em duplas, abrangendo a área até o Clube Paulinense. Outra dupla seguia até a região do Santa Terezinha. O patrulhamento era realizado sempre à noite, começando por volta de 19h, indo até a madrugada, quando recolhiam os cavalos na delegacia, onde ficavam as cocheiras. “O patrulhamento era feito pela calçada. Tínhamos uma boa visão e podíamos flagrar ladrões na prática de furto, observando por cima dos muros”, relembra Honório. “Naquela época o trabalho era gratificante, pois tínhamos o reconhecimento e apoio da população”, frisa, finalizando.

Presente: grande parte da corporação atual da Guarda Municipal de Paulínia