Milleniuns e a “Geração Z” Edição 42 (out/nov 2017)

Antes de falarmos sobre como o ano de nascimento das pessoas impacta na moda, segue uma breve explicação sobre cada geração: os Baby Boomer são aqueles nascidos entre a década de 1950 e 1960, pós-segunda guerra mundial, conhecidos como filhos da TV. Depois começou-se a falar na Geração X, dos nascidos entre os anos 60 e 70, que viram o surgimento da Internet e foi a partir dessa geração que surgiram as preocupações ecológicas. Em seguida veio a Geração Y, que está hoje na faixa dos 20 e 30 anos e que acompanhou a revolução tecnológica desde o início. E uma junção de todos esses grupos formam os chamados Milleniuns. A nova geração, que está aí pronta para uma nova revolução em termos de consumo e comportamento, é chamada de Geração Z. São aqueles nascidos em meados dos anos 2000. Vivem na era digital e nem sabem direito o significado da palavra off-line. Mas o que a Geração Z está provocando em termos de consumo e o que esperam da moda? É uma geração que está mais preocupada com o meio ambiente, com causas sociais, sustentabilidade e o consumo consciente. E o que mais compram são itens de moda e tecnologia. Seu consumo é baseado em propósito, buscando produtos e marcas que trazem valor para sua vida. Empresas transparentes e engajadas em questões sociais e ambientais são bem vistas. Os jovens dessa geração possuem um filtro extremamente rápido, apenas oito segundos para decidirem se consideram uma informação relevante ou não. Nesse sentido, os negócios precisam estar prontos para reagir a eventos culturais a qualquer momento, com respostas autênticas e com bom humor, criando campanhas que prendam sua atenção. Eles consomem conteúdo tão rápido quanto o descarta, pois apenas absorvem o que de fato interessa e, por isso, conseguem lidar com um turbilhão de coisas ao mesmo tempo E não é diferente com a moda.

Moda sem gênero: Geração Z está muito bem

Não é interesse, para nenhum desses jovens, produtos absurdamente caros e de luxo que não os satisfaçam completamente. Eles buscam versatilidade, diversidade de estilo, e claro, qualidade, mas sempre pensando no foco beneficente, tanto para o homem quanto para a natureza. Um grande exemplo dessa mudança é o conceito “see now, buy now” (veja agora, compre agora), em que as marcas liberam as peças para venda imediata após os desfiles, que antes demoravam até seis meses. Os Zs não querem esperar, pois, em seis meses muita coisa pode mudar, e se o que aconteceu há uma semana pode ser notícia velha e cair no esquecimento, imagina em meses então. Os Zs são imediatos. Tudo isso devido a ascensão das redes sociais e aplicativos que mostram o que acontece em tempo real, como o Snapchat e o Stories do Instagram. Eles querem o que estão vendo em tempo real, querem as novidades, e esse é o momento de serem cativados e fidelizados. As grandes marcas estão tão ligadas aos Zs que atualmente são as passarelas que estão seguindo as ruas. Antes era das passarelas para as lojas e depois para as ruas. Agora o caminho é reverso, das ruas para as passarelas, o Street Style faz parte do desfile de grandes marcas internacionais. Sem descriminação de raça, cor e gênero. Para por em prática tudo isso, a parte pensante da moda está vivendo o dia a dia das grandes cidades, para captar roupas ultra confortáveis e com todos os variados elementos que definem originalmente o Street Style, conquistando um resultado cool para a alta moda e, assim, entrando em perfeita harmonia com essa nova geração. E a Geração Z está muito bem representada pelos Smiths Jaden e Willow. Os irmãos gostam de moda sem gênero, atuam, cantam e estão sempre na mídia. Jaden usa unhas pintadas, gosta de looks com sobreposições de saia e, mesmo sendo menino, é “a garota” da vez da Louis Vuitton. Willow usa cabelos raspados e maquiagem colorida, e é uma das meninas rosto da Chanel. O mundo mudou, a geração mudou, todos temos que acompanhar essa mudança.

Cores e figuras do editorial Pensando em como manter a ligação com esses jovens, a Pantone – empresa que é mundialmente conhecida pelo seu estudo de cores – criou a cor Millennial Pink. Essa cor está totalmente ligada à Geração Millennium. É uma tendência entre jovens à vontade de permanecer nesta fase da vida e não amadurecer, por isso o tom faz sucesso. Ele é nostálgico e está presente nas boas memórias da infância, consequentemente vemos muitas estampas de desenho animado, que faz voltar ao passado e dar valor ao que realmente os toca. Assim como Rose Quartz e Serenity Blue, o Millennial Pink, sinônimo do universo feminino, tem uma certa carga irônica e é o estandarte do genderless (ou agênero em português) e da fluidez sexual, movimentos relacionados com o feminismo, com a luta pelos direitos LGBT e com a flexibilização dos conceitos de masculinidade.
(Fonte: Vogue – “O uso rebelde do rosa prende a atenção da Geração Z”)

Look: Rita Magazine Foto: Cativa