Em entrevista à Revista ZAP, o professor de dança falou um pouco sobre sua trajetória, seus desafios e conquistas e, claro, sobre seu amor pelo Hip Hop

POR THAÍS BEZERRA
FOTOS: CRISTIANO AVELINO

É quase impossível uma pessoa morar em Paulínia e nunca ter ouvido falar no nome Peter Black. Com seu carisma e engajamento em projetos sociais, o professor de Hip Hop meio que virou um ‘patrimônio da cidade’. Sua trajetória e seu papel atuante no desenvolvimento de políticas públicas para o bem-estar de crianças e adolescentes conferiram a ele o título de Cidadão Emérito de Paulínia.

De autoria da vereadora Fábia Ramalho, o Decreto Legislativo foi aprovado por unanimidade. O evento de concessão do título a Peter aconteceu no dia 18 de outubro, na Câmara Municipal de Paulínia, e buscou representar a importância do homenageado na vida de muitos paulinenses, enfatizando a alegria, a música e a dança que tanto caracterizam o perfil de Peter, cujo nome de registro é Pedro Donizete Honório.

Fábia Ramalho declarou que a homenagem a Peter Black é mais do que merecida. “Fico muito feliz pelo fato de minha primeira honraria ter sido indicada para uma pessoa tão iluminada, guerreira e que, com sua essência, tem transformado vidas, fazendo muita diferença por onde passa.

Sua dedicação, principalmente para quem está na invisibilidade social, é tocante. Portanto, ele merece todo nosso reconhecimento e consideração pelos anos dedicados aos jovens e famílias do nosso município”, declarou a vereadora.

Emocionado, Peter enfatizou que a motivação dos jovens e a mudança em suas vidas são os combustíveis que movem sua caminhada. “Às vezes, nós não temos muita noção do que fazemos. Mas coloquei no meu coração que, quando Deus me chamou, foi com o propósito de falar do amor dele, através da arte e da dança. Muitas vezes já tive vontade de parar, deixar tudo. Toda vez que eu olhava para o alto e via a galera dançando, quando eu via os rostos dos jovens, isso me motivava muito. A evolução que eu via na dança, nas letras, isso me dava uma alegria tremenda. Hoje posso falar que tenho discípulos que trabalham na área até hoje, são frutos que plantamos”, afirmou Peter, no dia da homenagem.

A cerimônia ocorreu na data em que se comemora o Dia do Hip Hop e Danças Urbanas, além do aniversário de Peter. Além desse título, Peter também já teve o trabalho reconhecido pelo Conselho Municipal da Criança e do Adolescente (CMDC) e pelo Lions Clube de Paulínia, com o Selo de Responsabilidade Social.

“O Hip Hop é uma ferramenta que resgata, fortalece pessoas e cria vínculos”

REVISTA ZAP: QUEM FOI O PETER CRIANÇA?

PETER: Minha infância não foi diferente de muitos garotos que moram em periferia, na época que não tinha telefone e nem Internet. Minha infância era jogar bola e “empinar” pipa. Quase fui jogador profissional de futebol, mas a dança foi mais forte.

REVISTA ZAP: COMO COMEÇOU A PAIXÃO PELA DANÇA? HOUVE ALGUMA INFLUÊNCIA?

PETER: Sempre gostei muito de música, minha família é muito musical. Aos 9 anos eu morava em frente ao Clube Unidos da Vila e, com influência da família musical, eu ia espiar o salão. Aquilo me tocava. Meus primos e tios sempre tiveram um feeling musical tremendo. Além deles, minhas inspirações sempre foram James Brown e, claro, Michael Jackson.

REVISTA ZAP: FALE UM POUCO SOBRE SUA TRAJETÓRIA NA DANÇA.

PETER: Em 1988 montei um grupo de dança (Break Boys) formado só por parentes. Em 1989 prestei concurso para pintor na Prefeitura de Paulínia. Já como servidor público fui chamado para ensinar dança na Secretaria da Criança e do Adolescente (Seca). De lá para cá, nunca mais parei de ensinar e atualmente sou professor no Departamento de Dança da Secretaria de Cultura.

REVISTA ZAP: QUAIS FORAM SEUS MAIORES DESAFIOS?

PETER: Mostrar na cidade que o Hip Hip não é dança de marginal, de bandido. Mostrar que Hip Hop é cultura, além de uma ferramenta para resgatar, fortalecer pessoas e criar vínculos REVISTA ZAP: E QUAL FOI SUA MAIOR CONQUISTA? PETER: Minha maior conquista é saber que hoje o Hip Hop é bem visto nas escolas, nas igrejas, em todas as instituições. É saber que o Hip Hop é reconhecido e que a dança foi o “divisor de águas” na vida de muitos jovens. Tenho muito que agradecer a Deus por tudo o que ele fez e continua fazendo na minha vida.

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PETER: Deus não fortalece os preguiçosos. Aprenda, se dedique e evolua.

“Às vezes, nós não temos muita noção do que fazemos. Mas coloquei no meu coração que, quando Deus me chamou, foi com o propósito de falar do amor dele, através da arte e da dança”, Peter Black