Reconstruída, Igreja se torna cartão postal de Paulínia

Obra sustentável conta com reaproveitamento de água da chuva e em breve terá sistema de energia solar; agora padre quer reformar salão paroquial

POR SILVÂNIA SILVA
FOTOS: WAGNER ROCHA/ DIVULGAÇÃO/ACERVO DA IGREJA

O pároco Paulo César Gonçalves Ferreira, da Igreja Matriz de Paulínia, certamente entrou para a história como o responsável pela reconstrução do templo, transformando-o num dos cartões postais mais belos da cidade.

Com pé direito de 15 metros, espaço para 1.500 pessoas e belos vitrais que representam momentos marcantes da vida de Jesus, o espaço impressiona pela beleza e amplitude, resultado de mais de dez anos de obras. Só para ter noção, a torre passou dos 23 metros para 33, idade da vida pública de Jesus Cristo.

Quando chegou à paróquia de Paulínia, há quase 14 anos, Padre Paulo encontrou uma igreja que enfrentava sérios problemas de infiltração e, quando chovia, ele brincava pedindo que os fiéis usassem guarda-chuvas dentro do templo. A construção original de 1967, época do pároco Padre Antônio Caetano Magalhães, precisava de reforma urgente. Padre Paulo conversou e provocou a comunidade que aceitou o desafio. Muitos pensavam que não passariam de reparos pontuais, mas a reconstrução do templo foi necessária para atender a demanda de Paulínia, que merece uma Igreja Matriz à altura já que o Sagrado Coração de Jesus é padroeiro do município.

Fachada antiga da Igreja Matriz que agora tem 18 metros de altura na parte externa e a torre passou dos 23 para os 33 metros

Inúmeros eventos foram realizados durante todo o período das obras para angariar fundos, como festas, quermesses e rifas. Com o passar dos anos, a Igreja Matriz foi sendo reerguida com atenção a cada detalhe. “A força, fé, coragem e determinação da comunidade são incríveis. Confesso que jamais conseguiria fazer algo sozinho. Isso é prova de que quando a comunidade quer e se une faz acontecer! Assim o peso foi dividido e a obra foi realizada com sucesso” reconhece o padre visionário. Inicialmente a obra foi orçada em R$ 3 milhões e meio, mas o valor passou para R$ 6 milhões, devido ao tempo em que ela se estendeu, mas tudo foi conquistado graças aos fiéis que se empenharam nas ações e doações. A obra aconteceu de 2007 a 2018, enquanto isso as celebrações foram realizadas no salão paroquial, com capacidade para 700 pessoas.

O templo foi inteiramente reconstruído e hoje comporta até 1.500 pessoas –1.100 sentadas, numa nave principal de 1.260 m², ganhou átrio junto à entrada principal, tem 15 metros de altura na parte interna e 18 por fora, a torre ganhou dez metros, foi colocado piso de granito e os vitrais foram substituídos. Foram construídos banheiros novos, salas de atendimento, salas de reunião, sacristia, sala de paramentos, sala da liturgia, copa, um apartamento completo e outros anexos importantes para a realização dos trabalhos.

Seguindo os princípios da sustentabilidade, a construção conta com sistema de reaproveitamento de água da chuva, mantendo 40 mil litros que são usados na limpeza e no jardim, por exemplo. Em breve será instalado um sistema de energia solar que vai suprir toda a demanda da energia elétrica, gerando assim uma economia considerável para a comunidade.

Atendendo pedidos, o sistema de ar condicionado é o próximo projeto. Na sequência Padre Paulo e comunidade planejam a construção do Centro Pastoral Imaculado Coração de Maria, que contará com espaçoso salão de eventos, várias salas, auditório, capela, cozinhas, banheiros, depósitos e outros anexos, para substituir o atual salão paroquial que

se encontra numa situação precária. Padre Paulo insiste, apesar de algumas resistências, em construir um espaço digno para a ação social e pastoral da comunidade.

A Paróquia Sagrado Coração de Jesus compreende além da Igreja Matriz, as comunidades São Bento, São Pedro e Santa Teresinha, que passaram por importantes reformas e outras mais devem acontecer.

Reflexão

Questionado sobre o papel da comunidade numa sociedade cada vez mais individualista Padre Paulo salienta: “Vivemos momentos difíceis, onde os valores têm sofrido muitos abalos e é papel da Igreja manter acesa a esperança das pessoas, convidando-as para a participação e a viver uma vida de oração, de amor a Deus e ao próximo. O desafio é fazer a Palavra de Deus entrar em cada coração, respeitando o diferente, levando cada pessoa a uma profunda experiência de filhos de Deus, levando-as a descobrir que podem ter vida e vida em plenitude”, finaliza citando o versículo João 10,10.

Vocação

Padre Paulo tem 51 anos de idade, é natural de Hortolândia, mas cresceu em Campinas. Desde a juventude sentia o chamado para servir a Deus e à comunidade. Aos 18 anos descobriu a vocação na catequese da crisma e na participação no grupo de jovens, aos 23 anos ingressou no Seminário

Agostiniano, em Goiânia/GO, depois terminou as faculdades de Filosofia e Teologia na Pontifícia Universidade Católica de Campinas. No Seminário Arquidiocesano de Campinas foi ordenado padre pela imposição das mãos do então arcebispo metropolitano de Campinas, Dom Gilberto Pereira Lopes, em 16/08/98, e assumiu a primeira paróquia Nossa Senhora Aparecida, em Sumaré, onde ficou sete anos cuidando de onze comunidades.

No dia 9 de setembro de 2005 durante a Celebração da Eucaristia presidida pelo então Arcebispo Metropolitano de Campinas, Dom Bruno Gamberini, Padre Paulo tomou posse como pároco da paróquia Sagrado Coração de Jesus.

Para o mês de Maio, conhecido como mês de Maria, Mãe de Jesus, mês das mães e das noivas, a paróquia e as comunidades estarão prestando homenagens a essas mulheres tão especiais na vida de toda família. “Ser mãe é sinônimo de amor e doação”, reforça Padre Paulo.